Um avião-laboratório alemão iniciou, na última sexta-feira (31), uma série de sobrevoos sobre o Pantanal de Mato Grosso do Sul para medir as concentrações atmosféricas de dióxido de carbono (CO₂) e metano (CH₄). A operação faz parte da campanha científica CoMet 3.0 Tropics, fruto da cooperação entre Brasil e Alemanha, que também realizará medições na Amazônia e em áreas do Cerrado até meados de setembro.
Dados do site de rastreamento de voos FlightRadar24 mostram que a aeronave, um Gulfstream G550 registrado sob o prefixo D-ADLR e operado pelo Centro Aeroespacial Alemão, realizou duas missões no espaço aéreo sul-mato-grossense na sexta-feira, ambas partindo de Cuiabá (MT), onde está baseada durante a campanha. O primeiro voo decolou às 8h20 e permaneceu no ar por 5 horas e 42 minutos, enquanto o segundo saiu às 18h16, com duração de 2 horas e 26 minutos. Os trajetos se concentraram principalmente sobre o Pantanal, na região de Corumbá, e também no norte de Mato Grosso do Sul.
Objetivos da missão
A campanha científica reúne aproximadamente 120 pesquisadores de instituições brasileiras e alemãs e é coordenada, no Brasil, pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), sob liderança do pesquisador Dirceu Herdies. Pelo lado alemão, a coordenação é do cientista Andreas Fix, do DLR. O objetivo é obter medições inéditas dos fluxos e das concentrações atmosféricas de carbono e metano nos trópicos úmidos.
No Pantanal, o foco está na medição das emissões de metano provenientes das áreas alagadas. Na Amazônia, os estudos buscam compreender o balanço de carbono da floresta, enquanto no Cerrado a atenção está voltada para as emissões decorrentes das queimadas. “O avião vai voar sobre o Pantanal para verificar as emissões de metano das regiões alagadas. A Amazônia é extremamente importante para conhecermos o balanço de carbono. No Cerrado, nosso foco são as emissões das queimadas”, explicou o professor do Instituto de Física da USP e pesquisador do ATTO, Luiz Machado.
Equipamentos e logística
A aeronave utilizada é conhecida como HALO (High Altitude and Long Range Research Aircraft), versão científica do jato executivo Gulfstream G550. O modelo opera em altitudes entre 850 metros e 15 mil metros. Entre os equipamentos embarcados está um sistema Lidar (Light Detection and Ranging), tecnologia baseada na emissão de pulsos de laser para medir as concentrações dos gases. A aeronave também leva instrumentos de sensoriamento remoto para identificar gases de efeito estufa.
O avião chegou ao Brasil em 25 de julho, por Fortaleza (CE). No deslocamento entre Fortaleza e Cuiabá, a equipe sobrevoou a represa da Usina Hidrelétrica Serra da Mesa, em Minaçu (GO), onde reservatórios com vegetação submersa são fontes naturais de emissão de metano. A campanha deve realizar aproximadamente 15 voos científicos até meados de setembro, com cada missão podendo durar até 10 horas. Estão previstos até três voos por semana.
