31/07/2026
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Capoeira inclusiva: o sonho de uma mãe que virou projeto

Capoeira inclusiva: o sonho de uma mãe que virou projeto

A influenciadora Gisele Mendonza, de 39 anos, viu um sonho antigo ganhar forma quando o filho Carlinhos entrou pela primeira vez em uma aula de capoeira. Mãe de um menino que nasceu com apenas cinco meses de gestação e enfrentou uma série de desafios desde os primeiros dias de vida, ela percebeu que o filho estava sendo acolhido, respeitado e tratado como criança.

Hoje, esse sonho se transformou em desejo coletivo. À frente do projeto “Carlinhos e as Super Mães Atípicas”, Gisele quer que mais famílias descubram o que encontrou nas aulas de Capoeira Inclusiva, conduzidas pelo professor, neuropsicopedagogo e capoeirista Josimar Araújo, de 49 anos, conhecido como Professor Vermelho.

“Se um dia me perguntassem qual foi um dos momentos mais felizes da minha vida como mãe, eu diria que foi ver o meu filho entrar em uma roda de capoeira e ser recebido com carinho, respeito e alegria. Depois de tantos desafios, tantas lágrimas e tantas incertezas, ver o Carlinhos sendo simplesmente uma criança… brincando, aprendendo e sorrindo, não tem preço. A capoeira inclusiva não muda só a vida das crianças, ela cura um pedacinho do coração de cada mãe que, por muito tempo, só sonhou em ver o seu filho sendo aceito. Hoje eu não vejo apenas inclusão. Eu vejo amor em movimento”, resume.

Carlinhos nasceu prematuro, com apenas cinco meses de gestação. As consequências vieram ao longo dos anos: deficiência visual, perda total da visão de um dos olhos, baixa visão no outro, microcefalia e atraso global no desenvolvimento. Desde então, a rotina da família passou a ser marcada por consultas, terapias e uma busca constante por oportunidades que favorecessem seu desenvolvimento. Foi nessa caminhada que surgiu a capoeira.

Muito além dos movimentos

Ao contrário do que muita gente imagina, a Capoeira Inclusiva não é uma adaptação da modalidade tradicional. Segundo Josimar, ela parte da essência da própria capoeira para acolher cada pessoa dentro de suas possibilidades.

“A capoeira já é inclusiva por natureza. Ela permite que cada um participe da sua maneira, seja pelo movimento, pela música, pelo ritmo, pelo toque, pela interação ou pelo afeto. O nosso trabalho é descobrir a potencialidade de cada pessoa e, a partir dela, criar caminhos para que ela avance”, explica.

Há quase três décadas trabalhando com pessoas com deficiência, o professor desenvolveu uma metodologia própria que une conhecimentos da capoeira, neuropsicopedagogia, psicomotricidade e educação inclusiva. Antes de ensinar qualquer movimento, ele procura criar vínculo.

“Antes da capoeira, eu preciso encontrar um caminho para tocar essa pessoa. Quando ela se sente respeitada, acolhida e segura, ela começa a mostrar quem realmente é. A partir daí, ela desenvolve autonomia, confiança e participação.”

Cada conquista vale uma vida inteira

Durante as aulas, Carlinhos canta, sorri, participa da roda, experimenta movimentos e interage com o professor. Pequenas conquistas que, para quem observa de fora, podem parecer simples, mas que representam enormes vitórias para a família.

Professor Vermelho conta que seu objetivo nunca foi ensinar apenas golpes ou movimentos. “Eu quero que a criança participe. Não faço por ela. Caminho junto. Se ela pode levantar um braço, nós celebramos. Se consegue cantar uma palavra, nós comemoramos. O resultado mais bonito é quando ela percebe que é capaz.”

Para ele, a maior recompensa acontece justamente nesses momentos. “Não existe dinheiro que pague quando uma criança conquista autonomia ou quando uma mãe chora ao perceber que o filho conseguiu fazer algo que parecia impossível. Esse é o meu pagamento.”

Um sonho para muitas famílias

Quem acompanha cada aula de perto também se emociona é a avó de Carlinhos, a também influenciadora Vera Lúcia Mendonza Veiga. “É uma felicidade imensa ver o sorriso dele, o encantamento e o aprendizado dele a cada aula. O projeto é lindo. Espero que mais crianças tenham acesso.”

Esse também é o desejo de Gisele. Depois de anos vivendo os desafios da maternidade atípica, ela acredita que iniciativas como essa fazem diferença não apenas para o desenvolvimento das crianças, mas também para o coração das famílias. “Meu sonho é que outras mães possam viver esse sentimento que eu vivi. Que mais crianças encontrem um lugar onde sejam acolhidas exatamente como são.”

Para conhecer de perto o projeto “Carlinhos e as Super Mães Atípicas”, apoiar a iniciativa ou apadrinhar uma criança, o contato pode ser feito diretamente com Gisele Mendonza pelo WhatsApp (67) 99248-9925. Quem quiser acompanhar o dia a dia do projeto e as ações voltadas às mães atípicas pode seguir o perfil @mendonzagisele e @vera.e_gii no Instagram.

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