30/04/2026
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Dia do Trabalho: 5 fatos que a cerveja é do trabalhador

A história da cerveja está ligada à história do trabalho. Muito antes de ser um símbolo de descanso, a bebida foi usada como salário, nutrição e ferramenta de mobilização social. Desde tavernas medievais até pubs da Revolução Industrial, ela uniu trabalhadores ao longo dos séculos. Para celebrar o 1º de maio, cinco fatos históricos mostram essa relação.

No antigo Egito e na Mesopotâmia, a cerveja era usada como parte do pagamento de mão de obra. Uma tabuleta de argila de 3 mil a.C., do Museu Britânico, registra as rações de cerveja distribuídas a operários em Uruk. No Egito, há inscrições que indicam que até as pirâmides foram construídas com apoio da bebida, que garantia hidratação e nutrição.

Na Bélgica, a Saison era produzida por fazendeiros durante o outono e inverno para ser vendida aos trabalhadores temporários que chegavam para a plantação no verão e colheita na primavera. O mestre cervejeiro Phil Markowski, no Guia Oxford da Cerveja, explica que a Saison era uma “cerveja de provisão”, com três objetivos: refrescar os trabalhadores no verão, ocupar a mão de obra fixa no inverno e gerar bagaço para o gado.

No sul da Bélgica, a Grisette era apreciada por mineradores. Leve e refrescante, ajudava a recuperar energias após um dia exaustivo nas minas de carvão. O nome, que significa “a pequena cinzenta”, pode fazer referência à aparência turva da cerveja ou à condição dos trabalhadores cobertos de cinzas.

A Porter, cerveja escura de Londres, se tornou símbolo da Revolução Industrial. O nome vem dos estivadores do porto, os porters. A bebida sustentava a nova massa de operários urbanos. Martin Cornell, autor de “A História das Cervejas Britânicas”, a considerava a primeira cerveja rockstar do mundo. Acredita-se que ela surgiu como uma mistura de cervejas com diferentes teores alcoólicos nos pubs.

No movimento trabalhista do século 19, as reuniões de trabalhadores eram ilegais até 1824 e aconteciam em pubs. Além da Porter, as Bitters, cervejas mais claras e amargas, se popularizaram. Nos Estados Unidos, no final do século 19, a German Pils, trazida por imigrantes germânicos, acompanhava os trabalhadores. Em 1º de maio de 1886, em Chicago, mais de 300 mil trabalhadores fizeram greve exigindo 8 horas de trabalho. Três dias depois, ocorreu o massacre de Haymarket. Em 1889, em Paris, a data de 1º de maio foi instituída como símbolo da luta trabalhista.

No Brasil, o Dia do Trabalho começou a ser celebrado no início do século 20 e se tornou feriado por decreto do presidente Artur Bernardes em 1924. Em 1º de maio de 1943, Getúlio Vargas usou a data para assinar a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), instituindo salário mínimo e férias.