07/07/2026
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Filha de chefe do SUS presa é sócia de plano de saúde

Filha de chefe do SUS presa é sócia de plano de saúde

Filha do coordenador estadual de Regulação Assistencial da Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul, a empresária Jessyka Duarte Burgatt foi presa nesta terça-feira (7) na Operação Gutenberg. Ela é sócia de uma operadora de planos de saúde, a Capital Administradora de Convênios e Planos de Saúde Ltda., com sede em Três Lagoas.

Jessyka é filha de Ed Carlo Britto Burgatt, coordenador estadual de Regulação Assistencial da SES, também preso na operação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado). Ele era responsável pela regulação estadual de consultas, exames, cirurgias e leitos do SUS.

O núcleo familiar formado por pai e filha é um dos quatro atingidos pela operação. Também foram presos a cirurgiã-dentista Rossana Paroschi Jafar e os filhos Olívia Paroschi Jafar, médica e proprietária da Clínica Ross, e Felipe Paroschi Jafar; o empresário Joatan Gomes Peixoto, dono da Editora Avante e da Souza & Fanaia Comércio de Livros e Serviços, e o filho Matheus Oliveira Peixoto; além do empresário Paulo Rogério de Melo, proprietário da Atalaia Veículos e de casas noturnas em Campo Grande, e o filho Douglas Henrique de Melo.

Entre os presos confirmados estão ainda o ex-prefeito de Fátima do Sul e chefe de gabinete do deputado estadual Jamilson Name, Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior; o empresário Francisco Anízio dos Santos e o advogado Anísio Gabriel Taquino.

A Operação Gutenberg cumpriu 16 mandados de prisão preventiva e 43 de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados, São Gabriel do Oeste, Caarapó, Corguinho, Porto Murtinho, São Paulo (SP) e Abadiânia (GO).

Segundo a investigação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, a organização criminosa movimentou mais de R$ 27 milhões em contratos públicos para aquisição de livros paradidáticos. As contratações eram direcionadas e os pagamentos eram pulverizados entre pessoas físicas e jurídicas para ocultar a origem dos recursos.

O Gaeco informou que, além das fraudes em compras públicas, o grupo é investigado por usar a influência de servidores públicos na área da saúde para condicionar a autorização de exames, cirurgias e vagas em hospitais da rede estadual à compra dos livros comercializados pelas empresas investigadas.

A defesa de Jessyka já pediu a prisão domiciliar. Os advogados Fabia Nakazato e Percel Jorge afirmam que ela tem um bebê e ainda amamenta a criança.