10/05/2026
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Filme sobre Lídia Baís começa a ser gravado em Campo Grande

As gravações do longa-metragem “Lydia”, dirigido por Ricardo Câmara, começaram na Morada dos Baís, em Campo Grande. O filme retrata a trajetória da artista sul-mato-grossense Lídia Baís, que enfrentou o conservadorismo da época para viver da arte. A produção busca mostrar a pintora surrealista de forma mais complexa, fugindo do formato tradicional de homenagem histórica.

De acordo com o diretor, a ideia é apresentar não apenas a artista, mas a mulher intensa, espiritualizada e muitas vezes incompreendida que transformou a própria casa em espaço de criação. O roteiro nasceu durante a pandemia, após Ricardo Câmara ter contato com um livro sobre Lídia. Com a Lei Paulo Gustavo, surgiu a oportunidade de realizar o primeiro longa de ficção da equipe.

A produção foi construída de forma colaborativa, com reuniões que incluíram artistas, pesquisadores e pessoas que conviveram com Lídia. Nomes como Humberto Espíndola e Júlio Figueiredo participaram desses encontros, que ajudaram a alimentar o roteiro com histórias e impressões afetivas. Parte da pesquisa visual foi feita em Assunção, no Paraguai, onde a artista passou a infância.

No elenco, a atriz Beatrice Sayd interpreta Lídia na juventude, e a cantora Alzira Espíndola vive a artista na fase mais velha, quando era chamada de Irmã Trindade. O filme também conta com Ney Matogrosso, Ana Brun, Gisele Sater e Breno Moroni. Beatrice Sayd destacou a importância do projeto para o audiovisual local, criticando a falta de investimento em cultura no estado.

Gisele Sater, que interpreta Amélia, mãe de Lídia, disse que a preparação para o papel mudou sua visão sobre a personagem, revelando uma mulher mais sensível do que imaginava. A atriz Giovanna Zottiono, que vive Celina, irmã de Lídia, afirmou que a falta de registros históricos exigiu uma construção intuitiva da personagem. Já o ator Fábio Umêda, intérprete de Aydano, descreveu a imersão no casarão como uma viagem aos anos 30.

A atriz Jéssica Barbosa Cauim, que interpreta Benedita, figura misteriosa na vida de Lídia, destacou a dimensão social da Morada dos Baís. Ela relatou a dificuldade em encontrar informações sobre a presença negra na história local. Alzira Espíndola, que estreia no cinema, contou que sua mãe dizia ver a figura de Lídia na janela da casa mesmo após sua morte, em 1985.

Lídia Baís foi uma pintora surrealista que rompeu com os padrões da época, circulando entre nomes do modernismo e viajando pela Europa. Sem poder seguir carreira fora de Campo Grande, transformou sua residência em um espaço de criação e resistência, onde produziu obras como o “Micróbio da Fuzarca”.