A maior parte dos anúncios de imóveis à venda em Campo Grande se concentra entre R$ 350 mil e R$ 700 mil, conforme informou o Creci-MS (Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Mato Grosso do Sul). O dado revela um mercado puxado pela classe média.
Segundo o diretor do Creci-MS, James Gomes, os anúncios se concentram principalmente em imóveis do padrão “standard”, que são aqueles classificados como de nível intermediário no mercado imobiliário, nem básicos, nem de alto luxo.
“São predominantemente apartamentos ou casas com 2 a 3 quartos, como visto em anúncios comuns de 120-180 m² com 2 a 3 vagas de garagem. Muitos incluem suíte, cozinha americana e garagem ampla, atendendo famílias de classe média em bairros em expansão”, explicou.
Ainda de acordo com James, os anúncios refletem bem o mercado real. “Vendas de 89% das unidades standard e estoque baixo, podendo esgotar em meses, impulsionado por programas como Minha Casa Minha Vida. Há pouca distorção, com valorizações reais de 5% a 7% ao ano e transparência crescente nos anúncios. Isso indica expansão para classes média/alta em regiões Norte e Centro-Sul”, destacou.
O Campo Grande News também entrou em contato com o Sindimóveis-MS (Sindicato dos Corretores de Imóveis de Mato Grosso do Sul) mas ainda não obteve retorno.
Recentemente, o programa Minha Casa Minha Vida passou por atualização. Desde 22 de abril, novas regras ampliaram o alcance da política habitacional, incluindo famílias com renda de até R$ 13 mil mensais e elevando o teto de financiamento para até R$ 600 mil nas faixas mais altas. Isso fortalece exatamente o segmento que já domina os anúncios.
Para quem está do outro lado da negociação, a busca pelo imóvel ideal envolve uma combinação de planejamento financeiro e expectativas pessoais. A jornalista Graziella Almeida, de 30 anos, que atualmente procura um imóvel em Campo Grande, conta que estabeleceu um limite de investimento de até R$ 250 mil. Nesse caso, ela se encaixa em imóveis de classe baixa.
Na hora de escolher, ela prioriza a compra de uma casa, seja em condomínio ou não. Já, apartamento está fora de cogitação. “Priorizo a privacidade, segurança em primeiro lugar, pois moro sozinha, mas não cogito ir para um apartamento pelo conforto”, destacou.
Em relação às características do imóvel, ela busca opções com até dois quartos e uma localização de fácil acesso. “A localização já seria a região onde moro, no Jardim Imá, mas acredito que, se for um lugar acessível e eu conseguir me transportar de maneira rápida, sem burocracia, isso me ajudaria”, completou.
Preços por metro quadrado
De acordo com o Índice FipeZap, publicado em março deste ano, os preços médios de venda de imóveis residenciais apresentaram variações significativas entre os bairros analisados. A liderança ficou com o Jardim Bela Vista, onde o metro quadrado atingiu R$ 11.133, seguido por Jardim dos Estados, com R$ 10.710/m². Na sequência aparecem Carandá Bosque, com R$ 8.661/m², e Planalto, com R$ 8.035/m².
Outras regiões também registraram valores expressivos, como Mata do Jacinto, com R$ 7.623/m², e Tiradentes, onde o preço médio foi de R$ 7.024/m². Já São Francisco apresentou média de R$ 6.638/m². Entre os bairros com valores mais acessíveis estão Centro, com R$ 5.656/m², Rita Vieira, com R$ 5.522/m², e Cruzeiro, que registrou o menor preço médio do levantamento, com R$ 5.316 por metro quadrado.
Novos empreendimentos
No ano passado, Campo Grande teve, pelo menos, 41 empreendimentos imobiliários apresentados à população, para serem construídos ao longo dos próximos anos. Os EIVs (Estudos de Impacto de Vizinhança) foram anunciados pela Planurb (Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano) por meio de audiências públicas. O montante é 41,3% maior do que os divulgados em 2024, quando foram realizadas 29 audiências públicas.
