A campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL) enfrenta dificuldades para fechar uma aliança e pode ter que optar por um vice com perfil mais radical. Com o prazo para as convenções partidárias se encerrando em menos de 24 horas, a busca por um nome de outro partido que trouxesse moderação e tempo de televisão encontrou uma série de recusas.
Nesta segunda-feira (3), o Republicanos rejeitou a aliança com o PL. A decisão foi tomada após 18 diretórios estaduais se oporem à composição com Flávio. Com isso, caiu a possibilidade de indicar a ex-presidente da Caixa, Daniella Marques. Na semana passada, o PP também vetou o nome da ex-ministra Tereza Cristina.
A campanha agora tenta uma aproximação com a presidente do Podemos, Renata Abreu. No entanto, a legenda tem pouco tempo de rádio e TV, e a parlamentar não representa um segmento específico com força eleitoral, ao contrário de Tereza e Daniella, que têm trânsito no agronegócio e no mercado financeiro. A tendência é que o Podemos permaneça neutro na disputa presidencial.
Com as negativas, o PL deve indicar um vice do próprio partido. Os nomes cogitados são das deputadas Julia Zanatta e Bia Kicis, que têm perfil ligado ao bolsonarismo. O senador Rogério Marinho também foi citado, mas a preferência é por uma mulher para compor a chapa, o que garante mais fundo eleitoral e busca aproximação com o eleitorado feminino.
A montagem da chapa não é o único problema. A campanha também enfrenta atrasos na área de comunicação. Na última quinta-feira (30), o publicitário Duda Lima assumiu a coordenação de marketing no lugar de Alexandre Oltramari e Eduardo Fischer. A equipe de produção ainda precisa ser contratada, mas a maioria dos profissionais já está envolvida em outros projetos eleitorais.
Sem uma estrutura completa de TV, rádio, imprensa e criação, a produção de peças publicitárias fica paralisada. Além disso, não há um plano de mensagem definido. Diferente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que já tem tema e pauta estabelecidos, a campanha de Flávio ainda não tem um mote claro e explora apenas o sobrenome.
Nos últimos meses, o senador oscilou entre um perfil moderado e uma postura radical, além de alternar entre um tom sério e o uso de dancinhas no TikTok. Apesar da desorganização, o entorno de Flávio iniciou a semana mais animado, motivado pela pesquisa BTG/Nexus que mostrou empate técnico entre ele e Lula no primeiro e no segundo turno.
