O vazamento de e-mails revelando uma visita de conselheiros da Vale a uma mina da J&F e um jantar entre a diretoria da mineradora e os donos da empresa de Joesley Batista gerou polêmica no conselho da Vale. Quatro anos após comprar o empreendimento, o empresário, que é amigo do presidente Lula, quer vender a mina de volta para a Vale, mesmo com a avaliação interna de que o negócio não compensa.
Após a visita ser revelada em um e-mail confidencial, a Vale divulgou um comunicado negando a intenção de comprar a mina de volta. A J&F também negou ter tentado a operação, mas ambas confirmaram a visita dos executivos e a contratação do banco Citi para tentar vender uma participação acionária em Corumbá (MS).
Nos bastidores, fontes da Vale confirmam a tentativa de Joesley e revelam o valor pelo qual ele pretendia fechar negócio. Joesley queria repassar à Vale 45% da mina, que custou US$ 1,2 bilhão em 2022, por R$ 4 bilhões. Também foi discutida a venda de uma participação menor, de cerca de 30%, por R$ 2 bilhões.
Apesar da polêmica, o negócio não foi adiante porque foi considerado ruim pela diretoria da mineradora. O comitê executivo da Vale entendeu que a taxa de retorno da mina não compensa o investimento. O CEO Gustavo Pimenta, que rejeitou a compra agora em 2026, foi quem vendeu a mina em 2022, quando era CFO.
No começo de maio, o então chairman da Vale, Daniel Stieler, jantou com os irmãos Batista no Rio de Janeiro. No dia seguinte, parte do grupo foi de jato particular para as minas do Sistema Centro-Oeste. A programação teria sido articulada por Stieler.
O conselheiro Manoel Lino Oliveira, conhecido como Ollie, contou em um e-mail que estava cético com o negócio, mas a visita a Corumbá mudou sua percepção. Ele destacou o “empreendedorismo fora do normal” e o “apetite para riscos muito além de nós” dos irmãos Batista.
A Vale vive uma crise interna desde que a Previ destituiu Daniel Stieler e anunciou sua substituição por Ollie. A escolha final será sacramentada em 22 de julho.
Procurada, a J&F reiterou que a controladora do Sistema Centro-Oeste, a LHG Mining, “não está à venda”. A holding disse que buscou o Citi para “conduzir um processo competitivo organizado, voltado a uma eventual participação minoritária na empresa”. A J&F afirmou ter recebido a comitiva da Vale “a pedido” da empresa e descartou ter a mineradora como sócia por ser uma concorrente direta.
