24/05/2026
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OAB-SP repudia fala sobre Deolane e advogados do PCC

A Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB-SP) divulgou uma nota de repúdio contra as declarações do procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, sobre a prisão da advogada e influenciadora Deolane Bezerra.

O procurador-geral afirmou que a prisão teria “caráter pedagógico” para que jovens não queiram “ser advogados do PCC”. A declaração foi feita durante entrevista coletiva sobre a operação, na quinta-feira. Ele disse que a ação teria “efeito inibitório”.

A OAB-SP classificou a fala como incompatível com o papel institucional do Ministério Público. Segundo a entidade, a declaração representa uma afronta às prerrogativas da advocacia, à ampla defesa e ao devido processo legal, garantidos pela Constituição.

“A Constituição Federal assegura que nenhuma pessoa ficará sem defesa técnica, sendo a advocacia função essencial à administração da Justiça. Criminalizar ou estigmatizar advogados em razão dos clientes que representam significa confundir deliberadamente a figura do defensor com a do jurisdicionado, prática incompatível com o Estado Democrático de Direito”, diz um trecho da nota.

Em audiência de custódia, Deolane alegou que foi detida no exercício da profissão. “Por uma quantia de R$ 24 mil depositada em minha conta, por um cliente que consta no próprio relatório da polícia o meu acompanhamento ao cliente”, afirmou.

A nota afirma que advogados não podem ser confundidos com clientes que representam. “O advogado não se confunde com seu cliente. Defender não é compactuar”, disse a entidade. A OAB-SP afirmou que declarações como essa criminalizam a advocacia criminal e enfraquecem garantias constitucionais. A entidade cobrou responsabilidade no exercício de funções públicas.

Procurado, o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) não se pronunciou até a publicação deste texto.

Prisão da influenciadora

Deolane foi presa na quinta-feira sob suspeita de integrar um esquema milionário de lavagem de dinheiro ligado ao PCC. A investigação teve origem em bilhetes e manuscritos atribuídos à facção, apreendidos há sete anos em um presídio de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo.

A polícia afirma que os documentos continham ordens internas do grupo e referências a integrantes do alto escalão da organização criminosa. A investigação avançou após a identificação de uma transportadora apontada como ligada à facção. Segundo a polícia, a empresa Lopes Lemos Transportes Ltda. não era apenas prestadora de serviços, mas uma “criação da própria facção” para operar o “branqueamento de recursos ilícitos”.

Os investigadores afirmam que Deolane foi identificada como beneficiária de valores da empresa e seria usada como uma espécie de “caixa do crime organizado”.

A defesa de Deolane afirma que ela é inocente e criticou a operação. Os advogados classificaram as medidas como “desproporcionais”. Durante a audiência de custódia, a defesa pediu a libertação da influenciadora alegando que ela tem uma filha menor de 12 anos. A defesa também recorreu ao STF, mas o ministro Flávio Dino disse não ver “manifesta ilegalidade” na prisão. Ele argumentou que não cabe reclamação ou habeas corpus de ofício, já que ainda há outras instâncias para o processo percorrer antes de chegar ao STF.