Boca de urna no Peru aponta Keiko Fujimori numericamente à frente, com 50,7% dos votos válidos. O cenário é de empate técnico com Roberto Sánchez, que tem 49,3%.
O segundo turno entre os dois candidatos ocorre após um primeiro turno conturbado, que teve o recorde de 35 candidatos. O país teve 9 presidentes em 10 anos.
A consequência dessa queda de braço entre Executivo e Legislativo no país resultou não só em uma profunda crise política, mas também na forma como a população enxerga a democracia.
Berti explica que a credibilidade das instituições é baixíssima se olharmos os últimos 10 anos. A desconfiança no Congresso passa de 90%, especialmente durante o processo que iria resultar na queda da ex-presidente Dina Boluarte, em 2025.
Os dados mais recentes da pesquisa do Latinobarómetro, que mede o nível de democracia nos países da América Latina, apontam que o Peru enfrenta um dos níveis mais baixos de confiança nas instituições se comparado a outros países da América Latina. Há o que pode ser classificado como uma “desconfiança crônica”.
De acordo com os dados, 90% dos peruanos têm pouca ou nenhuma confiança no governo e no Congresso. Apenas 10% se dizem satisfeitos com a democracia. A pesquisa também notou outro sentimento: a indiferença sobre a política ou ao tipo de regime de governo.
Berti explica que existe uma facilidade muito grande de criar partidos no Peru, chamados de “pouco institucionalizados”. São partidos que não têm raízes efetivas em uma sociedade, que não entram para a disputa durante 20, 40 anos. São legendas que surgem e somem, e não há fidelidade dos candidatos aos partidos, que trocam de coalizão com facilidade.
Esse cenário reforça no eleitor a lógica de que os candidatos chegam muitas vezes a uma eleição sem base sólida ou sem um partido conhecido. Isso gera desconfiança e, muitas vezes, um descrédito e temor da facilidade com que essas pessoas eleitas podem cair.
