13/07/2026
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Réu culpa subtenente e alega analfabetismo em feminicídio

Réu culpa subtenente e alega analfabetismo em feminicídio

O ex-companheiro da subtenente da Polícia Militar Marlene de Brito Rodrigues, de 59 anos, prestou depoimento à Justiça nesta segunda-feira (13) e atribuiu à vítima uma série de problemas, sustentando que ela tirou a própria vida. Gilberto Jarson, acusado de feminicídio, também alegou não saber ler nem escrever ao responder sobre provas da investigação.

A audiência ocorreu na 2ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande. Foi a primeira vez que o réu falou diretamente à Justiça desde o crime, ocorrido em abril deste ano.

Durante o interrogatório, Gilberto afirmou que Marlene enfrentava problemas emocionais havia meses. Segundo ele, a policial fazia tratamento psiquiátrico, usava medicamentos controlados e estava abalada após o casamento dos filhos. “Depois que os filhos casaram, ela ficou muito triste. Ela falava que estava sozinha”, declarou.

O acusado disse que a companheira reclamava do trabalho após retornar à ativa na Polícia Militar, tinha problemas financeiros e havia feito empréstimos que a endividaram. Gilberto também afirmou que Marlene falava frequentemente em tirar a própria vida. “Eu tomei o isqueiro dela”, relatou.

Segundo ele, as ameaças continuaram mesmo após tentativas de convencê-la a buscar ajuda médica. Gilberto contou que decidiu deixar a residência do casal e que a decisão provocou uma nova reação da policial. “Ela falou que, se eu fosse embora, ela ia fazer aquilo que estava prometendo fazia tempo”, afirmou.

O réu negou ter efetuado o disparo. Segundo sua versão, encontrou Marlene armada dentro de casa e tentou impedir que ela atirasse. “Quando eu vi, ela estava com o revólver. Corri para tirar da mão dela. Aí aconteceu o disparo.” Ele afirmou que a companheira morreu em seus braços.

Gilberto também responde por armazenamento de pornografia infantil. Ao ser questionado sobre imagens encontradas em seu celular, alegou desconhecimento. Disse que não sabe ler, não sabe escrever e que não possui conhecimento para usar diversas funções do aparelho. A justificativa foi repetida em respostas sobre documentos e mensagens citados durante a audiência.

Ao final, voltou a negar participação na morte. Assumiu ter passagem por um homicídio, que confessa ter cometido. “Eu não matei ela. Se eu for condenado, vou ser condenado inocente”, declarou.

Após a audiência, o advogado Jeferson Soares afirmou que a defesa considera positivo o resultado da instrução e continuará sustentando que Marlene tirou a própria vida. “A expectativa é bem positiva, pelo fato que uma das testemunhas da defesa relatou que ela realmente tinha depressão e estava fazendo tratamento”, disse.

A testemunha foi a irmã de Gilberto, proprietária de um salão de beleza frequentado pela subtenente. Ela afirmou que Marlene comentava sobre tratamento psiquiátrico e uso de medicamentos. A defesa informou que pretende pedir perícia em aparelhos eletrônicos para tentar recuperar conteúdos que reforçariam a tese de suicídio.

Sobre as imagens de pornografia infantil, Jeferson afirmou que, conforme consta na versão da defesa, os arquivos seriam conteúdos retirados da internet. “Pelo que consta no processo, seriam imagens da internet. Não seria algo que ele teria trocado com alguma menina”, disse.

A audiência foi a segunda do processo que apura a morte da subtenente, uma das pioneiras da Polícia Militar feminina em Mato Grosso do Sul. Na primeira sessão, em junho, sete testemunhas foram ouvidas. Marlene foi encontrada morta com um tiro no pescoço dentro da residência onde vivia com Gilberto, no Conjunto Habitacional Estrela d’Alva, em Campo Grande. A Polícia Civil concluiu pelo feminicídio e Gilberto segue preso preventivamente.