Os cerca de 2,3 mil indígenas que vivem na Terra Indígena Ñande Ru Marangatu, em Antônio João, estão recebendo assistência médica, odontológica e social gratuita desde ontem (30). A ação é realizada pelo Instituto Amigos do Coração e termina no sábado (2).
No Dia do Trabalhador (1º), voluntários continuam os atendimentos dentro de carretas do instituto e em espaços na comunidade. Um só dia não seria suficiente, devido às diversas carências dos habitantes guarani-kaiowá.
Esse cenário persiste mesmo após a conquista do direito de viver na terra de ocupação ancestral, que precisou ser comprada de um fazendeiro pelo Estado e pela União para garantir a posse indígena. O acordo foi firmado no fim de 2024, mas ainda há entraves que impedem os moradores de trabalhar na TI.
O cirurgião-dentista e presidente do Instituto no Estado, Estevão Molica, explica que a campanha é feita com recursos arrecadados de voluntários e materiais doados por empresas sul-mato-grossenses e paulistas parceiras. O atendimento é completo: “Na área da odontologia, a gente não só extrai ou trata. A gente traz a prótese dentária e faz a reabilitação completa. É um serviço voluntário completo, igual nós fazemos com pacientes no dia a dia”, descreve.
Na área médica, a equipe realiza consultas, exames clínicos e distribui medicamentos. Além disso, 500 cestas básicas e 3,5 mil roupas foram doadas às 661 famílias da TI. A equipe responsável pela cozinha também faz refeições para os atendidos, e outra cuida da recreação das crianças. “Temos voluntários em todo o Brasil. A gente não faz caridade, nós doamos o tempo útil, tempo de vida, não damos sobra”, finaliza Estevão.
Ações anteriores
O vice-presidente do Instituto, Adriano Oliveira, participa de ações no local e em outros no Estado desde a fundação do Amigos do Coração, há quase 15 anos. Ele explica que a Ñande Ru Marangatu começou a ser visitada há oito anos: “Na primeira vez, encontramos um índice de carência muito grande, de extrema vulnerabilidade. Vimos que isso foi ajudando a comunidade a se desenvolver ao longo dos anos”, relembra.
Um dos voluntários mais jovens é o advogado Guilherme Rocha. Ele está ajudando em demandas não relacionadas ao Direito, mas identificou que essa é uma das necessidades atuais: “Eles precisam de documentação e de vários serviços jurídicos, de orientação. A Defensoria Pública, que poderia auxiliá-los, fica em Ponta Porã”, relata. A distância de Ponta Porã até a TI é de cerca de 60 km. Ele afirma que, futuramente, pretende ser voluntário para auxiliar os indígenas.
