O réu Alfredo Netto foi condenado pela morte da esposa Jussara Gimenez Pereira dos Santos, ocorrida em setembro de 2024, mas os jurados rejeitaram a qualificadora de feminicídio. O julgamento aconteceu nesta terça-feira (16), em Campo Grande, na 1ª Vara do Tribunal do Júri, sob a presidência do juiz Carlos Alberto Garcete.
A tese da defesa, de que o disparo foi acidental, foi acolhida pelos jurados. Com isso, o crime foi desclassificado para homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Alfredo foi condenado a 2 anos e 6 meses de detenção pela morte de Jussara e a mais 2 anos de reclusão pelo porte ilegal de arma de fogo. As penas somadas chegam a 4 anos e 6 meses, além de 10 dias-multa.
O advogado de defesa, Ivan Hidelbrand, afirmou que a tese apresentada foi acolhida na íntegra. “Ele foi condenado à pena mínima do homicídio culposo em dois anos e seis meses e dois anos no porte”, disse. Segundo o defensor, o tempo que Alfredo ficou preso preventivamente e monitorado por tornozeleira eletrônica será descontado da pena. “Ele cumpriu preso um período provisoriamente de quase cinco meses e mais seis meses de tornozeleira. Vai fazer a detração, então deve resultar em regime aberto”, explicou.
O caso – Jussara morreu após ser atingida por um disparo de arma de fogo enquanto estava com o marido. A Polícia Civil concluiu que a morte não foi acidental e apontou indícios de feminicídio. A hipótese era de que Alfredo teria atirado na esposa por não aceitar uma possível separação. O Ministério Público denunciou o acusado por feminicídio e porte ilegal de arma de fogo.
Um dos momentos marcantes do julgamento foi o depoimento de Douglas Aparecido, filho de Jussara e criado por Alfredo desde os 12 anos. Ele falou por quase 40 minutos sobre a convivência familiar e emocionou o plenário ao dizer que não responsabiliza o padrasto. “Essa pessoa que vocês estão vendo é quem me criou. Eu seria a pessoa mais aborrecida do mundo com a situação e eu não condeno ele, porque eu sei o homem que ele foi para a minha mãe e sei o pai que ele foi para mim”, declarou. Douglas descreveu a mãe como de personalidade forte e Alfredo como mais tranquilo, classificando a morte como uma “fatalidade”.
Durante o interrogatório, Alfredo afirmou que não teve intenção de matar. Ele disse que o casal discutia dentro do veículo quando houve uma disputa pela arma. O réu alegou que enfrentava depressão e Parkinson e que, naquele dia, havia manifestado desejo de tirar a própria vida. Segundo ele, Jussara tentou tomar o revólver e o disparo aconteceu na discussão. Ao ser questionado pelo promotor sobre como tinha certeza de que o disparo foi feito por Jussara, respondeu: “Porque não fui eu”.
Após os debates, os jurados rejeitaram a qualificadora de feminicídio e acolheram a tese de homicídio culposo. Alfredo Netto foi responsabilizado pela morte, mas sem o reconhecimento de que agiu com intenção de matar a esposa.
