18/06/2026
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Ator de A Viagem lamenta ausência do Mascarado em filme

Ator de A Viagem lamenta ausência do Mascarado em filme

O ator Breno Moroni, de 72 anos, lamentou a ausência do personagem Mascarado na adaptação cinematográfica de “A Viagem”, prevista para estrear entre o fim de 2027 e o início de 2028. Morando em Campo Grande, o carioca afirmou que não ficou magoado, mas achou ruim cortar o personagem da trama. Segundo ele, todos os dias escuta e lê mensagens de fãs perguntando pelo Mascarado.

Breno considera o Mascarado o personagem mais popular de sua carreira. Ele conta que diariamente alguém comenta sobre o papel, que marcou a novela exibida pela TV Globo em 1994. O ator lembra que fizeram até camiseta com o personagem, tamanho o carinho do público.

A notícia do filme gerou curiosidade nos fãs da novela. Nas redes sociais, a ausência do Mascarado foi questionada, assim como as mudanças no enredo. Apesar de não estar no longa, Breno garantiu que pretende assistir à estreia. Ele brincou que estará na primeira fila com pipoca e classificou a adaptação como uma estratégia inteligente, já que a produção nasce com garantia de espectadores.

Na trama de 1994, escrita por Ivani Ribeiro, Adonay, o Mascarado, era uma figura misteriosa que se comunicava sem palavras, sempre escondido atrás de uma máscara. O personagem distribuía flores, brincava com crianças e despertava a curiosidade do público. O segredo só foi revelado nos capítulos finais: Adonay escondia o rosto após um acidente que o deixou desfigurado e tinha uma história ligada ao passado de Carmem.

Para Breno, o papel foi especial por permitir usar técnicas que estudou a vida inteira, como mímica, pantomima, dança, circo e expressão corporal. Ele afirma que na televisão isso raramente acontece, já que normalmente há muito diálogo. O ator disse que, se fosse convidado para reviver o personagem hoje, faria diferente, com melhor comunicação corporal, após anos trabalhando com atores surdos.

A versão para o cinema precisará reduzir a história que ocupou meses na televisão. Ao assistir ao trailer, Breno percebeu que a narrativa está mais concentrada no núcleo principal, focado em Alexandre, crime, pecado, umbral e paraíso. Ele observou que não é possível colocar tudo em um filme de pouco mais de uma hora.

O longa terá no elenco Carolina Dieckmann, Rodrigo Lombardi e Pedro Novaes. Enquanto o Mascarado ficou de fora, Breno estava envolvido em outro projeto, o filme “Lídia Baís”, inspirado na vida da artista sul-mato-grossense. Na história, ele interpreta Henrique Bernardelli, mestre de pintura da artista. O cantor Ney Matogrosso também faz parte do elenco.

Breno comentou que não poderia fazer o filme de “A Viagem” porque estava gravando “Lídia Baís”. Para construir o personagem, ele pesquisou sobre arte, história e costumes do início do século 20, incluindo músicas da época e a Revolução de 1930. As filmagens foram concluídas recentemente.

O ator afirmou que a experiência reforça o bom momento do audiovisual no Estado, com vários longas sendo produzidos e filmes participando de festivais nacionais e internacionais. Além de “Lídia Baís”, Breno participou de produções como “Filhos do Litoral Central”, “Não Me Lembro”, “Vipushovuko”, “Olhos Fechados” e do documentário “VEMO-1”.

Natural de Petrópolis (RJ), Breno Moroni se formou em teatro nos anos 1970. Durante a ditadura militar, deixou o Brasil e passou anos estudando no exterior, onde aprendeu mímica, pantomima, técnicas circenses, dança, música e interpretação física. Trabalhou em países como Inglaterra, Cuba e Quênia. Na televisão, passou por emissoras como Globo, Manchete, Bandeirantes, TV Educativa e TV Rio. Aos 72 anos, ele continua aprendendo e se reinventando, ciente de que o público dificilmente esquecerá o homem que, sem dizer uma palavra, marcou uma geração.