25/06/2026
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Lula critica paralisação de 12 anos da UFN3 em Três Lagoas

Lula critica paralisação de 12 anos da UFN3 em Três Lagoas

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou nesta quinta-feira (25) que “não tem explicação” a paralisação por 12 anos da obra da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN3), em Três Lagoas. A declaração foi feita durante visita ao canteiro de obras, onde foi oficializada a retomada do empreendimento pela Petrobras.

A construção da UFN3 foi interrompida em 2014, quando cerca de 81% da execução estava concluída. A estatal prevê finalizar a unidade até 2029, com possibilidade de antecipação do prazo. Durante a solenidade, foram assinados os contratos com as sete empresas vencedoras da licitação para a retomada das obras.

Lula criticou o abandono do projeto e disse que a paralisação obrigou o Brasil a ampliar a dependência de fertilizantes importados, elevando os custos para a produção agropecuária e para o consumidor. “Uma coisa é você não começar uma obra porque não tem projeto ou dinheiro. Outra é começar, ter projeto, recursos, necessidade e, quando já tem mais de 80% da estrutura pronta, deixar tudo parado durante 12 anos”, afirmou.

A UFN3 terá capacidade para produzir ureia e amônia, insumos estratégicos para reduzir a dependência externa do agronegócio brasileiro. Atualmente, o país importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome. Lula citou o fechamento de unidades da Petrobras na Bahia, em Sergipe e no Paraná e afirmou que a estratégia do governo é recuperar a capacidade nacional de produção.

O presidente defendeu o papel da Petrobras no desenvolvimento do país e criticou processos de privatização. “A Petrobras tem tudo para ser uma empresa moderna. O governo não interfere na gestão, mas eu não abro mão de discutir o papel da empresa no desenvolvimento do país”, disse. Lula também afirmou que a soberania nacional passa pela produção de insumos estratégicos. “Eu sonho com o dia em que o Brasil produzirá mais de 70% dos fertilizantes de que precisa”, ressaltou.

O presidente lembrou que a decisão de retomar a obra foi tomada no início do atual mandato, após tentativas frustradas de encontrar investidores privados. “Pensamos em retomar Três Lagoas logo que assumimos. Durante anos sempre aparecia a expectativa de um investidor, de um chinês, de um russo, de um japonês, mas ninguém entrou. Foi preciso a Petrobras assumir seu papel”, declarou.

A retomada da UFN3 faz parte do plano de expansão da Petrobras na área de fertilizantes. Na semana passada, a presidente da estatal, Magda Chambriard, informou que a companhia investiu R$ 26,8 bilhões no primeiro trimestre deste ano, alta de 25,6% em relação ao mesmo período de 2025. Ela afirmou que a meta é concluir a unidade até 2029, mas considera possível antecipar o prazo.