29/04/2026
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Sedentarismo: 47% dos brasileiros em risco vascular

Dados do IBGE e do Ministério da Saúde indicam que 47% dos adultos brasileiros e até 84% dos jovens levam uma vida sedentária. Esse estilo de vida, marcado pela falta de atividade física, pode prejudicar a saúde de várias formas, inclusive a saúde vascular.

O sedentarismo é a ausência de exercícios regulares, com baixo gasto de energia. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda pelo menos 150 minutos de atividade física por semana para evitar ser classificado como pouco ativo e manter a saúde.

Na sociedade atual, as pessoas passam mais tempo paradas, sentadas em frente à televisão, ao celular ou ao computador. Esse comportamento não deve ser considerado normal ou inofensivo, pois representa um risco à saúde.

Para a saúde vascular, o sedentarismo é perigoso porque pode levar à trombose. Só no primeiro semestre de 2025, a doença causou 36 mil internações no Brasil.

A trombose ocorre quando coágulos de sangue obstruem a circulação em um vaso, mais frequentemente nas pernas. A falta de movimento dificulta o retorno do sangue ao coração, favorecendo a formação dos coágulos.

Além da imobilidade prolongada – por hábitos, internações ou viagens longas – outros fatores de risco incluem cirurgias, câncer, diabetes, obesidade, hipertensão, uso de hormônios, gestação, idade avançada, predisposição genética, tabagismo e consumo de álcool.

A trombose costuma ser silenciosa no início. Com o tempo, surgem sintomas como dor ao caminhar, inchaço, e alterações na cor, temperatura e textura da pele na área afetada.

A doença também pode evoluir para uma embolia pulmonar, que muitas vezes é fatal. O coágulo se desprende e viaja até o pulmão, causando falta de ar, dor no peito, tosse com ou sem sangue, taquicardia e desmaios.

Outro problema vascular ligado ao sedentarismo é a aterosclerose, uma inflamação crônica nas artérias causada pelo acúmulo de placas de gordura, colesterol e cálcio. Isso endurece e estreita as artérias, reduzindo o fluxo sanguíneo e aumentando os riscos de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e doença arterial periférica.

Além do sedentarismo, tabagismo, pressão alta, diabetes e dieta rica em alimentos gordurosos elevam as chances de desenvolver aterosclerose. A condição exige mudanças no estilo de vida, com mais atividade física.

Os sintomas da aterosclerose aparecem tardiamente e incluem dor no peito, falta de ar, tontura, palpitações, e dor ou cãibras nas pernas ou braços ao caminhar, variando conforme a artéria afetada.

Em todos os casos, a consulta com um cirurgião vascular é indicada para evitar o agravamento. Os tratamentos são definidos de acordo com cada paciente, mas a prática de atividade física e o abandono do tabaco são regras comuns para garantir mais qualidade de vida e longevidade.

Josualdo Euzébio Silva é médico cirurgião vascular e membro titular da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular.

Os artigos publicados com assinatura não traduzem necessariamente a opinião do portal. A publicação tem como propósito estimular o debate e provocar a reflexão sobre os problemas brasileiros.