O BNDES desembolsou R$ 12,8 bilhões em Mato Grosso do Sul entre 2023 e o primeiro trimestre de 2026. O valor representa mais da metade dos R$ 20,5 bilhões aprovados no período. Os recursos foram destinados a obras de infraestrutura, projetos industriais, agropecuária e comércio e serviços.
Os números mostram um aumento de 207,4% em relação ao montante aprovado entre 2019 e 2022, que foi de R$ 6,67 bilhões. No primeiro trimestre de 2026, os desembolsos somaram R$ 1,05 bilhão, alta de 346,1% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
Para especialistas da Fiems (Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul), o crédito do banco de fomento ajudou a sustentar a transformação econômica do Estado. Eles avaliam, no entanto, que o volume ainda é insuficiente para atender a demanda por financiamentos com taxas de juros mais baixas, em um cenário de Selic elevada.
“Os desembolsos do BNDES foram muito fortes e ajudaram a sustentar a transformação econômica de Mato Grosso do Sul”, afirmou Renata Farias, consultora e gestora da Fiems Conecta. “O setor produtivo ainda tem espaço e necessidade de ampliar a oferta de financiamento.”
Infraestrutura lidera crescimento
Um levantamento da Fiems Conecta mostra que os recursos desembolsados pelo BNDES nos últimos cinco anos cresceram 329,5%. Os projetos de infraestrutura registraram alta de 821%, passando de R$ 419 milhões, em 2021, para R$ 3,86 bilhões em 2025. O segmento respondeu por 55,1% do total de R$ 7 bilhões desembolsados no ano passado.
O crédito para agropecuária aumentou 47,6% em cinco anos, de R$ 786 milhões para R$ 1,16 bilhão em 2025, o equivalente a 16,5% do total. O setor industrial avançou 500%, saindo de R$ 185 milhões para R$ 1,11 bilhão, ou 15,8% do total. Em 2025, os maiores desembolsos na indústria foram para material de transporte (63,2%) e alimentos e bebidas (25,2%). Em 2021, o crédito estava concentrado em celulose e papel (51%) e alimentos e bebidas (31%).
O crédito para comércio e serviços cresceu 263%, de R$ 243 milhões para R$ 882 milhões no ano passado, uma fatia de 12,6% dos desembolsos.
Mudança no perfil do crédito
Na avaliação da Fiems, os desembolsos acompanham os grandes investimentos privados em andamento, principalmente da indústria de celulose, além de logística, energia e biocombustíveis. A consultora destaca a infraestrutura ligada à Rota Bioceânica, corredor de 2.400 quilômetros que ligará Mato Grosso do Sul aos oceanos Atlântico e Pacífico.
“A Fiems tem destacado que 2025 foi um ano de recorde de exportações industriais, expansão do emprego industrial, atração de investimentos e fortalecimento da competitividade do Estado”, disse Renata Farias.
Em maio, a Fiems iniciou negociações com o BNDES para se tornar um hub de conexão da instituição em Mato Grosso do Sul, com condições diferenciadas para a indústria. “Apesar do crescimento dos desembolsos, a federação entende que ainda existe demanda reprimida por financiamento”, afirmou.
A especialista destaca que a migração do crédito da agropecuária para infraestrutura e indústria indica uma economia que está se sofisticando. “Mato Grosso do Sul está vivendo um ciclo de investimentos nesses setores. Por isso, a demanda continua crescente”, acrescentou. As necessidades de inovação tecnológica, eficiência energética e sustentabilidade aceleram a demanda por financiamento mesmo com juros elevados. “Por isso, linhas do BNDES com taxas reduzidas são tão atrativas”, concluiu.
